
Ela viveu o que tinha que viver, mas agora, no fim dela, começam a me passar os flashes de quando ela achava que tudo era banal, hoje eu vejo que cada detalhe fez com que ela se tornasse essa pessoa... Sozinha.
Por muito tempo ela pensava que estava tudo certo, até quando tudo desabava em sí, isso aproximadamente em 99% dos casos, aí ela se perguntava, "o que eu fiz de errado?" Não fumava, não bebia, não usava drogas, não saia de noite, sempre tentando ser melhor para que todos sentissem orgulho, mas era tudo em vão, nada era suficiente, sentia que nunca era boa o suficiente, ela não era boa o suficiente e não é agora!
Começou a lembrar dos meus anos de criança, aquela menina gorda com o cabelo e a voz estranha que todo mundo zoava e ninguém queria conversar, aquela que passou todo o período de escola entre livros, o quarto e brincando com o cachorro, é, era assim...
Depois bate a saudade da adolescência, aquela sim era uma época boa, era só livros, TV e Internet, apesar de tudo na escola ainda ser a mesma coisa, achava que tinha que ser assim, ela contra o mundo ou tudo o que sobrou do seu próprio mundo.
Finalmente, virou formanda, chega de abusos, chega de xingamentos, chega de julgamentos, chega de tudo! Mas aí vem a parte difícil, a parte que eu tenho que confessar, é a mais pesada da vida, tudo vem como uma avalanche pra cima, ser independente, um dos seus desejos, o que mais almejava e tudo tinha que ser tão complicado.
Certo dia, estava ela lá, sentada lendo um dos seus livros favoritos e tomando um gole de café, nada além da sua rotina, quando percebe que não havia ido conferir a caixa do correio, e por incrível que pareça, sua vida mudaria nesse simples gesto. Chegando à caixa, ela se depara com contas, propagandas, folhetos de políticos corruptos, mas no meio desse maço de cartas e besteiras havia uma carta com a aparência bem velha, parece que tinha sido mandada há anos, mas nunca chegou, endereçada a ela. Entrou em casa com um ar de desconfiança "mas quem mandaria uma carta assim para mim?", se questionando enquanto aguardava as outras correspondências, chegou em seu quarto, abriu a carta e lá havia uma simples foto de o que parecia uma senhora, bem de idade já, com um sorriso angelical e segurando um buquê de flores, atrás dessa foto havia uma letra bem tremida, como se fosse a letra de alguém desesperado para mandar um recado à uma pessoa especial que dizia: "Você não é perfeita, não pode ser, ninguém é! Esqueça as preocupações do mundo e comece a fazer o que nunca começou, A VIVER! Sua jornada começa agora.". Ela achou estranho e ignorou pensando que era um mal entendido "mandaram a carta para a pessoa errada", mas como se a mesma tinha o endereço certo de sua casa e seu nome completo? Essa parte não saiu de sua cabeça, mas passando 3 capítulos do livro e 3 goles de café ela se esqueceu dessa situação e voltou a sua vidinha patética de sempre.
Passou-se uma semana depois da carta misteriosa e ela recebeu outra com a mesma aparência, envelhecida, com a mesma foto e a letra tremida, mas agora dizia: "Não deixe pra depois, és mais do que pensas, muita gente precisa de ti e você precisa dessas pessoas!".
- COMO ASSIM PRECISAM DE MIM?! Ninguém nunca nem se importou, quanto menos vão precisar!
Triturou e jogou a carta no lixo, mas quando tenta voltar a sua rotina encontra a carta inteira em sua cama, mas com uma outra coisa escrita: "Pensas que pode se livrar do destino? Isso é quem você é, não negues, só irá piorar as coisas."
Ela olhou para aquilo e se assustou, só tinha ela em casa, não havia mais ninguém, mais nenhuma carta dessas no meio do monte, e não se lembrava de deixar essa pra trás. De repente, ainda segurando tremulamente aquela foto, surge mais escritas tremidas, como se estivessem sendo escritas naquele momento mesmo: "Corra daquilo antes que aquilo te mate ou te desaponte."
Ela ficou confusa, não sabia por onde começar, a carta misteriosa, a escrita estranha, a mesma senhora... Era tudo tão surreal como nos livro que lia, mas nos mesmo havia um ponto de partida e um objetivo, ela tinha nenhum, era uma simples garota com uma vida simples e pensamentos simples, mas logo a carta começou a tremer, tudo começou a tremer, e por incrível que pareça a única coisa que ela pensava era "droga, e pra eu arrumar tudo depois?", não era hora de um pensamento tão banal, estava numa realidade paralela e não na sua vida inútil, foi buscar respostas na carta, desfez o envelope, procurou folhas coladas no papel e quando foi olhar a carta a senhora havia sumido e deixado o buquê para trás, procurou evidências na foto também, o lugar que a senhora estava era desconhecido, uma varanda que dava em um lindo jardim, mas viu que tinha uma folha colada atrás da foto, a retirou e havia uma outra foto, a mesma senhora, estava olhando a mesma paisagem, mas estava de noite, seus cabelos pareciam mais ralos, sua pele mais seca, estava mais magra, suas roupas mais rasgadas, seus olhos mais fundos, estava morta! Mas a imagem na foto se mexeu, "COMO ASSIM?!", ficou desesperada e soltou a foto, mas ela continuava a se mover a senhora morta olhou em seus olhos e balbuciou os nomes "M-a-r-i-n-a... M-a-r-í-l-i-a", na hora fez sentido algum, seria filhas dela? Não, não, seria óbvio e vago demais, aí se lembrou de um poema de Vinícius de Moraes, "A Balada das Duas Mocinhas de Botafogo", já sabia para onde ir, sua jornada começava.
0 Recadinhos :}:
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